Aragão explica por que derrota da Lava Jato foi importante

publicado 29/09/2017

Dallagnol e equipe agradecem a derrota: quem paga a viagem? Você? (Reprodução: Twitter/Allard Prize)

Do UOL:

Prêmio a que a Lava Jato concorria no Canadá vai para jornalista do Azerbaijão


A força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal) na Operação Lava Jato perdeu, na noite desta quinta-feira (28, já madrugada de sexta no Brasil), o prêmio Allard, promovido pela University of British Columbia, do Canadá. A premiação reconhece "esforços no combate à corrupção e na promoção dos direitos humanos". A equipe ficou com a menção honrosa.

O prêmio foi para a repórter investigativa Khadija Ismayilova, do Azerbaijão. Ela também ganhou 100 mil dólares canadenses, o equivalente a cerca de R$ 256 mil. Também concorria ao prêmio a ativista de direitos humanos egípcia Azza Soliman. Impedidas de deixarem seus países por seus governos, nenhuma das duas pôde participar da cerimônia, em Vancouver, sendo representadas. (...)

Em tempo: o Conversa Afiada publica texto de Eugênio Aragão, ministro da Justiça durante o governo Dilma:


 

Por que foi importante derrotar a Lava Jato no concurso do Prêmio Allard


Não nos iludamos. O Prêmio Allard da Universidade de British Columbia, no Canadá, é um instrumento ideológico da economia global, que busca colocar países emergentes sob o denominador das economias centrais. 

O tal “Combate à Corrupção” é mais um cavalo de batalha do imperialismo mercantil. Podem as economias centrais ver, no caso delas, a corrupção como comportamento desviante que enfraquece o standing das grandes corporações do capital em suas complexas sociedades. Mas o que elas insistem em ignorar é que a corrupção, entre nós, é consequência de uma sociedade profundamente desigual e que seu enfrentamento longe do esforço de inclusão social e do reforço às regras do devido processo legal e do julgamento justo só aprofunda a desigualdade e acirra o autoritarismo, destruindo empregos e a democracia.

Ainda assim é importante jogar com as contradições do discurso ideológico. Ao mostrar que a Operação Lava Jato representa a destruição de direitos civilizatórios, como a presunção de inocência, o respeito à verdade provada e a imparcialidade do julgador, tão proclamados como contribuição dos países centrais ao mundo, o recuo na jogação de confete a Deltan Dallagnol et caterva era inevitável. Tentaram salvar a face compartindo o prêmio entre os finalistas, mas a ganhadora foi uma jornalista do Azerbaijão.

Nos bastidores já se dava a vitória da Lava Jato como certa. Havia um jogo duplo até por parceiros progressistas, com medo de perda de reputação e espaço, mas a atuação incisiva de poucos estudantes e juristas fez a diferença e mostrou como o destemor de enfrentar os inimigos do progresso, da soberania nacional e da democracia vale a pena. 

Esclarecer os desvios do moralismo tupiniquim é fundamental para mostrar ao mundo que o chamado “Combate à corrupção” não pode ser uma guerra sem regras de engajamento e sem respeito às leis. Vamos colocando os pingos nos ii.