Pesquisa inédita: quanto pior o MT, melhor para o Lula

 

O Conversa Afiada reproduz artigo de José Roberto Toledo no Estadão (que não se perca pela vizinhança), com o título "Páscoa eleitoral de Lula".

(Está mais do que na hora de o raivoso, prepotente, miúdo, rasteiro e mesquinho, segundo o Janio de Feitas, prendê-lo, com algemas, a tempo de pegar o jornal nacional.)

Ao Toledo:

Lula da Silva tem o maior eleitorado cativo entre possíveis candidatos a presidente. Segundo pesquisa inédita do Ibope, publicada aqui com exclusividade, 19% votariam “com certeza” nele e em mais ninguém – além de outros 11% que dizem que votariam com certeza não só nele, mas em outros também. Para se comparar, o segundo maior eleitorado exclusivo é o do ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa: 4%, um quarto do de Lula.

Considerando-se os que votariam com certeza e quem poderia votar em cada nome testado pelo Ibope, Lula chega a 47%; Marina Silva (Rede) tem 33%; Jose Serra (PSDB), 25%; Joaquim Barbosa, 24%; Geraldo Alckmin e Aécio Neves, 22% cada; Ciro Gomes (PDT), 18%; Jair Bolsonaro (PSC), 17%; e João Doria (PSDB), 16%. Mas Doria, Bolsonaro e Joaquim são desconhecidos para 40% ou mais do eleitorado e, por isso, sofrem menos com a rejeição.

Lula é o único cujo potencial de voto (30% que votariam com certeza nele mais 17% que poderiam votar) quase iguala sua rejeição: 47% a 51% – a diferença está no limite da margem de erro. Para Aécio e Ciro, por exemplo, seu potencial é cerca de um terço de sua rejeição. Quem se aproxima mais de Lula nessa taxa é Barbosa: seu potencial equivale a 75% de sua rejeição.

Lula renasceu eleitoralmente por três motivos: o governo Temer, a memória do bolso do eleitor, e, paradoxalmente, a Lava Jato – que respingou em quase todo político relevante. A pesquisa Ibope foi feita antes de o Jornal Nacional dedicar 33 minutos ao petista na cobertura da Lista de Fachin. Se Lula continuará vivo na disputa até 2018 é questão para pitonisas forenses. Quanto pior é a avaliação do governo Temer, maior fica o capital político acumulado por Lula. Todo tropeço presidencial – das gafes em discursos sobre mulheres até o jeito de apresentar a reforma da Previdência – acaba virando ponto para o petista. O desemprego em massa, é claro, também ajuda.